quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

POESIA MARGINAL, DA MARGEM DO JORNAL À MARGEM DA RODOVIA

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Viegas Fernandes da Costa

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Traço versos nas margens de um marginal jornal

enquanto percorro bairros e ruas, pontes e rodovias



A cada curva que faz o coletivo, a cada buraco...

uma nova palavra, uma velha idéia se traça em tão frágil suporte



Escrevo sem saber o que, apenas uma brincadeira compulsiva

a necessidade de preencher cada canto da margem, ejaculando letras que se encontram e

[constróem um mundo



Escrevo sem atinar com meu percurso

o ônibus prossegue, e me transporta, a mim e ao mundo que carrego



O jornal, marginal, completa-se com a tinta azul da esferográfica

e preenche-se, cada espaço, repleto, e procuro desesperado um novo suporte



No encosto do banco da frente, branco, prossigo

assustado com os olhares que me denunciam, vandalizo o coletivo



Já o jornal, esquecido, voa pelo corredor, entre os passageiros

e encontra uma janela, por onde se esquiva, planando sobre o asfalto...





... voa o jornal e a poesia

esta, liberta das minhas mãos e agrilhoada ao papel,

encontra o rio...

e se afoga!

Um comentário:

Viegas Fernandes da Costa disse...

Olá Juleni, carspe diem!

Fiquei feliz em ver nosso poema por aqui.
Recebe meu abraço fraterno.
Viegas